As misericórdias do SENHORNão há como fazer uma lista que sequer possa dar uma pálida ideia da extensão do significado dessas palavras. Provavelmente o único vislumbre que possamos ter venha através da expressão “cada manhã”. O apóstolo Pedro registra na sua Segunda Carta (2.8) que Ló, a quem chama de justo, tinha sua alma atormentada, cada dia, pelo que via e ouvia na cidade de Sodoma e o Senhor o livrou do procedimento ímpio daqueles insubordinados. À cada dia o Senhor estava presente com seu povo que peregrinava pelo deserto e de dia lhes providenciava sombra com nuvens e de noite lhes alumiava o caminho com fogo. Cada dia lhes alimentava com o maná em uma porção suficiente apenas para aquele dia. E, para deixar bem claro que cada dia estava junto deles, estabeleceu uma série de sacrifícios que deveriam ser feitos diariamente. Porém, temos sempre de nos lembrar que essa sucessão de dias a que nos referimos com a expressão “cada dia” só existe pra nós, pois aos olhos de Deus todos os nossos dias estão tão expostos quanto o tempo de vida dos personagens de uma história estão expostos diante de um escritor: “Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda” (Sl 139. 16). Nós estamos sujeitos a este constante devenir em que, a cada instante, o futuro se transforma no presente, que, por sua vez, vira passado. Sobre o futuro nada podemos fazer: ele ainda não está ao nosso alcance. O passado já está congelado e imutável. E, se não agirmos diligentemente, o pequeno instante, diante de nós, a que chamamos presente, se esvai e apenas o contemplamos sem exercer qualquer tipo de ação sobre ele. Essa pequena partícula de tempo a que me refiro, é mostrada pelas Escrituras através de expressões como “cada dia” ou, no caso de nosso texto, “cada manhã”. Com isso o Senhor nos garante que, sobre esse pequeno instante, sobre o qual ele nos deu autoridade, ele nos dará também sabedoria e forças para molda-lo conforme sua santa vontade. É por essa razão que nosso Mestre e Senhor nos proibiu andar ansiosos. Afinal, quem pode “acrescentar um côvado ao curso de sua vida?”. Ou seja: Quem pode determinar o futuro. Ou, em última análise: Quem pode trabalhar hoje naquilo em que ainda não aconteceu? É por essa mesma razão que ele nos manda pedir apenas o pão de cada dia. Observe como o Senhor, a quem muitos creem não se importar com as coisas materiais, nos ordena a pedir pelo mais básico, e também cuida de nossas necessidades menores e mais simples como sombra no calor e luz na escuridão. Mas, é conveniente lembrar que ele mesmo nos adverte que cada dia traz o seu próprio mal (Mt 6.34) , portanto não devemos ter pressa em resolver hoje os problemas de amanhã, “pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (Hb 3.13). Assim, como cada dia o Senhor nos cobre com suas misericórdias, somos exortados a viver cada dia para glória dele e para o bem de nosso irmão. Um dia, será o último dos dias e estaremos diante do Senhor. Chegará finalmente o “dia eterno”. Então não caberá mais o uso de expressões como “cada dia” ou “cada manhã”, pois se cumprirão todas as alusões a “para todo sempre” ou “eternamente”. Amém!
são a causa de não sermos consumidos,
porque as suas misericórdias não têm fim;
renovam-se cada manhã Lamentações de Jeremias 3.22-23
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
domingo, 28 de outubro de 2012
Nosso Senhor Jesus, decepcionado com a reação de Corazim e de Betsaida,
garantiu que, no dia do juízo, elas serão julgadas com maior rigor do que Tiro e
Sidom. Os judeus de então devem ter entendido melhor do que nós hoje a gravidade
desta ameaça, pois não estamos tão familiarizados com as malfeitorias delas.
O mesmo foi dito de Cafarnaum e Sodoma. Porém, a história de Sodoma nós
conhecemos. Tornou-se proverbial.
Mas, voltando a Tiro e Sidom, para conhecer-lhes as maldades, é necessário
estudar razoavelmente bem o período que vai do profeta Malaquias até os dias de
Jesus. Quanto a Corazim, Betsaida e Cafarmaum, o próprio Jesus nos dá o traço
comum pelo qual elas sofreriam maior rigor: a incredulidade: “Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em
Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas
se teriam arrependido com pano de saco e cinza” (Mt 11.21). E “Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás
até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti
se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje” (Mt 11.23).
Estes textos levantam questões difíceis, como: por que não se fez em Sodoma,
em Tiro e em Sidom os mesmos milagres que foram feitos em Corazim, Betsaida e
Cafarnaum, se era sabido que elas haveriam de se arrepender? Por que foram
preteridas? Mas este é um assunto para outra ocasião, pois o que me atrai mais
nesta afirmação do Senhor é a razão pela qual ele haverá de aplicar maior rigor
em seu julgamento.
Creio que é necessário destacar dois pontos:
Primeiro: A posição de Cafarnaum parece ser pior, já que o Senhor
Jesus além de fazer nela muitos milagres manteve lá uma casa (provavelmente
alugada, ou emprestada) onde podia ser achado. Veja Mc 2.1: “Dias depois, entrou Jesus de novo em Cafarnaum, e logo correu
que ele estava em casa”.
Segundo: Os milagres tinham a única função de confirmar a mensagem
anunciada. Observe que o mesmo critério de maior rigor é prometido às casas e às
cidades que rejeitassem a mensagem do Evangelho transmitida pelos discípulos de
Jesus: “Se alguém não vos receber, nem ouvir as vossas
palavras, ao sairdes daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés.
Em verdade vos digo que menos rigor haverá para Sodoma e Gomorra, no Dia do
Juízo, do que para aquela cidade” (Mt 10.14-15).
Um dia desses, depois de uma das palestras do Encontro da Fé Reformada em
Vitória (ES), em uma agradável conversava com meu hospedeiro, que passou da meia
noite, discutíamos exatamente esse ponto. Nosso Senhor está se referindo
especificamente a rejeição de sua Revelação e no caso agravada pelos sinais que
a comprovavam.
Quão digna de maior rigor é nossa geração – pensamos – já que a Revelação
divina está sendo acintosamente rejeitada diante de comprovações mais pungentes
do que milagres?
Dou apenas um exemplo: Até 1950 o texto hebraico mais velho que tínhamos era
composto de manuscritos feitos na idade média (entre 900 e 1000 d.C.). Em 1946
um adolescente, que procurava suas cabras extraviadas, achou uma caverna com dez
vasos de barro que continham rolos dos livros do Antigo Testamento. Foi a
primeira das diversas cavernas em que partes maiores ou menores de todos os
livros do AT, com exceção de Ester, foram encontrados. Hoje você pode vê-los até
na internet e atestar a fidelidade do conteúdo do texto que sempre usamos.
Hoje a Bíblia está por todos os lugares. Conversando com meu amigo listamos
rapidamente as versões à nossa disposição em tablets, smartphones, celulares e
edições gráficas diferentes. Legíveis, audíveis (algumas nas línguas originais)
e até encenadas. Ninguém pode alegar que não tem condições de adquirir uma
Bíblia já que ela é distribuída gratuitamente em hospitais, escolas, hotéis,
cadeias... (Dia desses um membro de minha igreja me procurou para me alertar de
que se alguém dissesse que o viu saindo de um motel com outro homem, eu não me
assustasse pois eles tinham começado a distribuição nos quartos de motéis
também).
Sodoma, Gomorra, Tiro e Sidom receberam a Revelação que todos recebem: a
Revelação Geral, que é própria da criação, e por essa razão são indesculpáveis
perante Deus.
Sodoma teve contato com Ló e o rei de Tiro fez aliança e comerciou com
Salomão, mas não consta dos registros bíblicos que tenham recebido ensinamentos
como nossa geração recebe e continua recebendo. Por isso nossa geração, à
exemplo das cidades que nosso Senhor imprecou, sem dúvida, receberá maior juízo.
Mas e o texto que se refere a casas? Quantas Bíblias há na sua? Elas orientam
a vida de sua família ou apenas estão lá? Elas orientam suas decisões ou
enfeitam sua estante? Com que rigor você acha que será julgado diante do
Senhor?
Postado por
folton nogueira
sábado, 6 de outubro de 2012
Perdas
A vida é feita mesmo de ganhos e perdas ... mas as perdas e a melancolia que ela nos deixa vai nos fazer ser forte um dia pra ensinar aos nossos queridos esta lição que um dia aprendemos ... assim foi comigo ...
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Embora seja a menor dentre todas as sementes, quando cresce torna-se a maior das hortaliças e se transforma numa árvore, de modo que as aves do céu vêm fazer os seus ninhos em seus ramos”. Mateus 13:32
Jesus ensinava muito por parábolas. Usando para a criação de Deus e para as cenas do dia-a-dia, ele falava com simplicidade sobre a profundidade do reino de Deus. Qualquer pessoa poderia se identificar com o que estava sendo dito pelo Mestre já que tudo tinha a ver com a realidade deles.
Mas apesar do quadro comum a verdadeira mensagem que Jesus queria passar só era compreendida de fato por aqueles a quem Ele mesmo já havia aberto os olhos. Esses ouviam e entendiam. Os outros ouviam, mas não entendiam o que realmente Jesus queria dizer. Ele nos explica: “Por essa razão eu lhes falo por parábolas: ‘Porque vendo, eles não vêem e, ouvindo, não ouvem nem entendem’. Mateus 13:13
A parábola acima é a do Grão de Mostarda. Nela Jesus fala sobre o poder dos pequenos inícios. Se não soubéssemos, dificilmente daríamos crédito a uma minúscula semente, achando que dali sairia algo grande, frutífero e acolhedor. Visuais que somos, nossa aposta é que algo grande, parte também de algo grande, o que cá entre nós, contraria nossa própria existência. Um dia todos fomos bebês, até mesmo Jesus.
Quando evangelho chega, nem sempre o impacto é tão visível e estrondoso quanto queríamos. Empolgados pelo nosso ímpeto em evangelizar, anunciar a Palavra da transformação, as vezes vemos apenas pequenos resultados….ou nenhum resultado.
Nessa hora, é tempo de crer nessa parábola que Jesus nos ensinou. Pequenos começos podem terminar em grandes coisas. Nossa atitude, pequenina como uma semente, pode gerar frutos e troncos preciosos pra glória do nosso Criador.
Importante também enfatizar que a ênfase de Jesus não está no esforço humano. Quem dá o crescimento é Deus (I Coríntios 3.6-7). É ele quem realiza a “mágica” de fazer com que o desprezível se torne espetacular. Da nossa parte, cabe a fé que enxerga que o invisível está sendo feito por Deus.
Semeie sempre e espere. Não adianta apressar um Deus que tem um tempo certo para todas as coisas. Mas nunca faça o que precisa ser feito sem a exata confiança de que pelo poder Deus, um pequeno grão se transforma na maior das árvores.
Que Deus te abençoe
Rev.Felipe Telles Ferreira
Jesus ensinava muito por parábolas. Usando para a criação de Deus e para as cenas do dia-a-dia, ele falava com simplicidade sobre a profundidade do reino de Deus. Qualquer pessoa poderia se identificar com o que estava sendo dito pelo Mestre já que tudo tinha a ver com a realidade deles.
Mas apesar do quadro comum a verdadeira mensagem que Jesus queria passar só era compreendida de fato por aqueles a quem Ele mesmo já havia aberto os olhos. Esses ouviam e entendiam. Os outros ouviam, mas não entendiam o que realmente Jesus queria dizer. Ele nos explica: “Por essa razão eu lhes falo por parábolas: ‘Porque vendo, eles não vêem e, ouvindo, não ouvem nem entendem’. Mateus 13:13
A parábola acima é a do Grão de Mostarda. Nela Jesus fala sobre o poder dos pequenos inícios. Se não soubéssemos, dificilmente daríamos crédito a uma minúscula semente, achando que dali sairia algo grande, frutífero e acolhedor. Visuais que somos, nossa aposta é que algo grande, parte também de algo grande, o que cá entre nós, contraria nossa própria existência. Um dia todos fomos bebês, até mesmo Jesus.
Quando evangelho chega, nem sempre o impacto é tão visível e estrondoso quanto queríamos. Empolgados pelo nosso ímpeto em evangelizar, anunciar a Palavra da transformação, as vezes vemos apenas pequenos resultados….ou nenhum resultado.
Nessa hora, é tempo de crer nessa parábola que Jesus nos ensinou. Pequenos começos podem terminar em grandes coisas. Nossa atitude, pequenina como uma semente, pode gerar frutos e troncos preciosos pra glória do nosso Criador.
Importante também enfatizar que a ênfase de Jesus não está no esforço humano. Quem dá o crescimento é Deus (I Coríntios 3.6-7). É ele quem realiza a “mágica” de fazer com que o desprezível se torne espetacular. Da nossa parte, cabe a fé que enxerga que o invisível está sendo feito por Deus.
Semeie sempre e espere. Não adianta apressar um Deus que tem um tempo certo para todas as coisas. Mas nunca faça o que precisa ser feito sem a exata confiança de que pelo poder Deus, um pequeno grão se transforma na maior das árvores.
Que Deus te abençoe
Rev.Felipe Telles Ferreira
'Antes que elas cresçam'
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.
É que as crianças crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem ...
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.
É que as crianças crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem ...
sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.
Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.
Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.
Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?
Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas.
Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.
Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.
Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.
Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, posteres e agendas coloridas de pilô. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.
Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto.
No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na montanha terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.
O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.
Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.
Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.
Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.
Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?
Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas.
Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.
Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.
Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.
Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, posteres e agendas coloridas de pilô. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.
Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto.
No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na montanha terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.
O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.
Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.
sábado, 15 de setembro de 2012
Dia de festa !!
Uma das maiores alegrias do convívio familiar é com certeza o congraçamento e a cumplicidade entres os membros desta família . Nós somos mesmo abençoados pois em um tempo de tantos desencontros e tantas famílias desfeitas e partidas, aqui estamos nós felizes, gratos em poder comemorar com alegria o natalício da nossa querida Mãezinha, um dom , um presente de Deus nas nossas vidas. Nossos corações se enchem de júbilo e gratidão a Deus por tudo que ele tem feito na vida desta serva querida que tem sido luz e sal da terra para todos aqueles que dela precisam .
domingo, 12 de agosto de 2012
Meu pai ...
" e lhes darei um mesmo coração e um só caminho, para que me temam todos os dias, para seu bem e o bem do seu filhos'.
Jeremias 32:39
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